23.11.08

Afinal, diagramar pra quê?


Todo mundo sabe que, para um jornalista, fazer-se entender é fundamental. Saber colocar bem as palavras, falar bem, escrever bem, enfim, se comunicar bem. A boa comunicação, porém, não se resume ao fato do profissional ter um bom texto, no caso da publicação impressa, por exemplo. Assim como a montagem e a fotografia são fundamentais para um filme – além do bom roteiro e de outros aspectos, claro! –, a diagramação é imprescindível para a legibilidade de um texto jornalístico. Sim, a estética, o tipo de fonte, o espaço entre as linhas e letras, a disposição e a organização dos textos fazem toda a diferença na hora da leitura!

Na última edição da revista Rolling Stone Brasil , isso me incomodou (bastante!). Falando como leitora, posso dizer que a revista não é simples de se ler, não possui linearidade alguma. Eu estava lendo (bem feliz e curtindo) uma matéria sobre a Little Joy, nova banda do Amarante (ex-Los Hermanos). A matéria dizia: “O nome do projeto foi inspirado por um bar que ficava próximo à casa dos músicos. ‘Um boteco tipo americano, fechado, com sinuca e música boa’, explica Amarante. ‘A gente roubou o nome de tanto ir lá. Achamos que (...)’”. Ponto final. Meu olhar, um pouco perdido, procura o restante do texto, seguindo a lógica da leitura ocidental, se voltando para o alto da segunda parte da página, dividida em duas. Encontro: “Go Back – Enquanto prepara novo disco, Titãs revê carreira em documentário”. E o que o pessoal da Little Joy acha, afinal????? Eu só descobri na página seguinte. As metades das duas matérias estão na mesma página e, uma página depois, as outras metades das mesmas matérias! Pelo amor! Por que não colocar os dois textos inteiros em uma mesma página? Afinal, são duas matérias e duas páginas, não são? Pra quê dividir a leitura? Não é dinâmico, não é prático, não é legal – mesmo com a informação “[Cont. na página tal]”.

E esse não foi o único caso. Em uma página mais pra frente nesta mesma edição, uma matéria sobre as premiações musicais e o fato de o público ser decisivo na escolha dos premiados é quebrada por outro texto sobre os Helmet (banda de rock que se apresentou recentemente no Brasil) e uma coluna sobre a atuação do Fresno junto ao Chitãozinho & Xororó, no VMB. A continuação da matéria sobre as premiações musicais só vem duas páginas depois, ao lado de outros dois textos sobre assuntos X. Me irritei, mais uma vez!

Essa quebra na leitura não é positiva nem quando as duas matérias tratam de dois assuntos interessantes, nem quando falam de dois assuntos chatos e muito menos quando uma fala de um assunto super massa e a outra de um assunto tosquíssimo! Imagina só ler sobre sua banda preferida e no meio do caminho se deparar com um texto sobre aquela banda que você odeia? No mínimo desagradável, não? O fato é que falta isso na revista! Falta uma boa diagramação! Falta praticidade na leitura! Falta prender o leitor! E isso tudo é bem básico! [Não continua em lugar nenhum].

2 Responses:

Homem Codorna said...

Muito boa análise!
Como designer, não vou me esquecer desse toque, rs!
Bjos!

Ana Paula said...

"[Não continua em lugar nenhum!]"
Mto boaaa! Ri demais!