25.11.08

TOP 100 RS II

Ainda não deixei meu comentário sobre o ranking da Rolling Stone de novembro e antes que alguém fale que não aproveitamos essa "manancial de críticas"...

First of all: enquanto estamos a nos dilacerar por melhores posições para os nossos cantores favoritos, os editores da revista estão nos States recebendo os parabéns da RS internacional, em uma comemoração com a presença de Barack Obama!


Tá mentira... A questão, pequenos camponeses, é que as listas são feitas única e exclusivamente para causar polêmica, ou seja, para vender (siiiiiiim, capitalismo!). É preciso ser um bocado pretensioso para fazer um ranking e a Rolling Stone pode! Afinal, tem muita gente babando ovo para ela. Tô mentindo?

Para iniciar a análise... Credo! Que palavra horrível! Vamos mudar senão ninguém continua: Para esculhambar a Rolling Stone, deve-se admitir tal premissa: Nenhum ranking é objetivo, ou empírico. Mostre-me um ranking que seja a verdade kantiana (AI DONTI SPIQUI ABAUTI RELIDION) que eu te devoro!

Posso me deixar convencer pela lista por três motivos: ressonância, curiosidade e interesse.

A ressonância baseia-se em explorar o universo do leitor, o que ele já acredita e respeita, e usar como base da argumentação. Em outras palavras, ressonância é chover no molhado. Para exemplificar, tem coisa mais coxinha do que colocar Tom Jobim no topo da lista?

Com isso, a Rolling Stone ganha seu coração. A foto do abre mostra um Jobim tão guty, que logo você lembra que a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus blablablá. Como já explicado pela integrante Darth Vader do blog: anos 60 é um lugar muito seguro! Quero ver colocar no topo da lista alguém dos anos 80 que você ouve enlouquecido dentro do carro na Nova Brasil FM! Bom, e aí as 10 primeiras posições são tão conservadoras que logo se percebe que há um pacto entre os jornalistas musicais (chegamos, inclusive, a conclusão de que eles andam uniformizados pela Vila Madalena, mas isso fica para outro post). E o leitor fica sempre sem palavras quando se trata de bossa nova, afinal o MUNDO parece saber mais sobre o estilo do que ele (afinal, brasileiro que viveu a bossa nova, já não lembra das letras... AAAAAAAAAIIII, maldosa!). Só digo isso para você, pobre mortal, que entender bossa nenhuma, é super normal!

Fim da ressonância. Bóra para a curiosidade ou o post vai ficar gigante.

Curiosidade como todos sabem é aquilo que matou o gato. Estimular a curiosidade abre terreno para a argumentação, pois nela está inserido um desejo de mudança. É como se eu olhasse para a lista e pedisse: me convença! Para ser convencida, eu aceito argumentos que são uma apresentação particular dos fatos, exemplo: O D2 está na lista, poxa! Mas, mantenha o respeeeeeeeeeito... (mágoa, pois eu já desmaiei em um show dele)!

Se eu pensar que o fofo está atrás da batida perfeita, que é uma representação da voz dos morros, que já tocou com Sérgio Mendes e Otto, que isso, que aquilo... Ele é muito bom e merece estar na lista. O leitor da Rolling Stone que já está pregado na parede, aí diz:

"Ah, assim sim!"

E todo mundo fica feliz. O homem separado da obra, pois já não interessa o que ele fez de escroto nos anos de Planet Hemp. Para fazer valer minha opinião, ressalto apenas as características convenientes à minha argumentação (espertinhos...).

Quando há uma coerência entre a personalidade e os atos (quando ele é "O cara") analisados em questão, temos um mito:

"Apesar de você, amanhã há de ser, outro dia..."

(Para entender melhor o conceito de curiosidade, ler também os perfis de Daniela Mercury, Mano Brown e Genival Lacerda).

Último de tudo: o interesse. Nesse conceito reúnem-se os publicitários que sabem que as listas vendem e que querem vender os anúncios gigantes que vão na Rolling Stone, mas também a vontade do leitor de um enquadramento de idéias que lhe seja conveniente e gere uma economia de pensamento. O leitor da RS é alguém que tem que trabalhar, estudar, ler Kafka, assistir ao filme do Meirelles e ouvir todas as centenas de bandas novas que a RS apresenta todos os meses (nem vou dizer o que ele faz nas horas que deixa de ser poser) (AAAAAAAAAAIII, ácida!). Acontece que se a RS poupa ao leitor o trabalho de elaborar uma das milhares de opiniões sobre tudo o que ele tem que ter... Ótimo! Economia de muito tempo útil... Afinal, elaborar um ranking musical? Ninguém merece!

24.11.08

Folhateen – “ Três dicas para escrever sobre música”

Os textos de música são a melhor parte do suplemento adolescente da Folha. (Gosto da coluna 02 Neurônio também, quando elas estão neuróticas). O foco é em bandinhas “que pouca gente conhece”, como já reclamou alguém da nossa sala. Mas é por isso que eu gosto tanto, já que muitas das minhas bandas favoritas eu conheci por aí.

E acredito que esse deva ser um dos objetivos da cobertura musical: trazer coisas novas, música que valha a pena ser conhecida. O jornalismo cultural como um todo procura fazer isso. É claro que se deve ter espaço para quem já é antigo, e é preciso que se dê chance para todos os estilos. Talvez o Folhateen peque um pouco aí.

Mas vamos analisar alguns textos em específico – de números antigos que por alguma razão eu guardei, junto com cadernos Mais! que, assim como nosso amigo Saulo, eu guardo para ler depois e nunca leio.

>> vou ligar o som para tornar o trabalho mais agradável. Ouvindo agora o disco "Moon Safari", do Air.


Coluna Escuta Aqui, de Álvaro Pereira Júnior
26/03/07

Super adequada, ela traz “três dicas para escrever sobre música”, vindas da imprensa inglesa.

1- A crítica feita por Allan Jones, editor-chefe da revista Uncut, ao álbum “Neon Bible”, do Arcade Fire. Apesar de velhinho, Jones continua afiado e com uma bagagem musical ótima. “Com conhecimento de causa, Jones corta a neblina do hype e olha para a música do ultraindie Arcade Fire, de Montreal. O que encontra é um álbum três estrelas (o máxcimo são cinco), ‘que se leva a sério demais para ser levado a sério’”.

2- A reportagem sobre o Kings of Leon, por Ben Scoppa na Uncut de novo. Ela traz um perfil realista da banda, contando que eles são uma boy band inventada por um produtor de Nashville, Angelo Petraglia. Segundo a revista, os irmãos Followill foram empurrados para o mundo da música pela própria mãe e não sabiam nada de rock, tanto que o primeiro disco deles, “Youth & Young Manhood”, foi quase todo composto por Petraglia.

3- A reportagem sobre o Bonde do Role no Observer, “pequeno e simpático texto” assinado por Alex Bellos, “o inglês que mais entende de Brasil”.

Nos textos sobre o Arcade Fire e Kings of Leon, pode-se ver “crítica sem recalques – só com embasamento e informação”. Deve mesmo ser uma das funções do jornalismo que trata de música ir mais a fundo e revelar o que há por trás do sucesso de uma banda. (*Falarei mais disso depois, quando tratar do livro da Rolling Stone) A reportagem sobre o Bonde do Rolê mostra que dá para fazer um texto simpático e favorável sem ter que cair de joelhos pelo artista.


>> "Moon Safari é sensacional". Ouça “La demme d’argent” e “All I need”.

Sobre cobertura musical

Porque nós super gostamos de música, achamos ótimo analisar como é feita a cobertura de shows, e os perfis de artistas e críticas de CDs.

E também porque é fim de semestre e nós precisamos de notas boas, decidimos intensificar nossas análises e abrir o campo para outros veículos, não ficando apenas na RS.

Portanto, preparem-se para mergulhar no maravilhoso mundo da... euh... cobertura musical.



bora

23.11.08

Afinal, diagramar pra quê?


Todo mundo sabe que, para um jornalista, fazer-se entender é fundamental. Saber colocar bem as palavras, falar bem, escrever bem, enfim, se comunicar bem. A boa comunicação, porém, não se resume ao fato do profissional ter um bom texto, no caso da publicação impressa, por exemplo. Assim como a montagem e a fotografia são fundamentais para um filme – além do bom roteiro e de outros aspectos, claro! –, a diagramação é imprescindível para a legibilidade de um texto jornalístico. Sim, a estética, o tipo de fonte, o espaço entre as linhas e letras, a disposição e a organização dos textos fazem toda a diferença na hora da leitura!

Na última edição da revista Rolling Stone Brasil , isso me incomodou (bastante!). Falando como leitora, posso dizer que a revista não é simples de se ler, não possui linearidade alguma. Eu estava lendo (bem feliz e curtindo) uma matéria sobre a Little Joy, nova banda do Amarante (ex-Los Hermanos). A matéria dizia: “O nome do projeto foi inspirado por um bar que ficava próximo à casa dos músicos. ‘Um boteco tipo americano, fechado, com sinuca e música boa’, explica Amarante. ‘A gente roubou o nome de tanto ir lá. Achamos que (...)’”. Ponto final. Meu olhar, um pouco perdido, procura o restante do texto, seguindo a lógica da leitura ocidental, se voltando para o alto da segunda parte da página, dividida em duas. Encontro: “Go Back – Enquanto prepara novo disco, Titãs revê carreira em documentário”. E o que o pessoal da Little Joy acha, afinal????? Eu só descobri na página seguinte. As metades das duas matérias estão na mesma página e, uma página depois, as outras metades das mesmas matérias! Pelo amor! Por que não colocar os dois textos inteiros em uma mesma página? Afinal, são duas matérias e duas páginas, não são? Pra quê dividir a leitura? Não é dinâmico, não é prático, não é legal – mesmo com a informação “[Cont. na página tal]”.

E esse não foi o único caso. Em uma página mais pra frente nesta mesma edição, uma matéria sobre as premiações musicais e o fato de o público ser decisivo na escolha dos premiados é quebrada por outro texto sobre os Helmet (banda de rock que se apresentou recentemente no Brasil) e uma coluna sobre a atuação do Fresno junto ao Chitãozinho & Xororó, no VMB. A continuação da matéria sobre as premiações musicais só vem duas páginas depois, ao lado de outros dois textos sobre assuntos X. Me irritei, mais uma vez!

Essa quebra na leitura não é positiva nem quando as duas matérias tratam de dois assuntos interessantes, nem quando falam de dois assuntos chatos e muito menos quando uma fala de um assunto super massa e a outra de um assunto tosquíssimo! Imagina só ler sobre sua banda preferida e no meio do caminho se deparar com um texto sobre aquela banda que você odeia? No mínimo desagradável, não? O fato é que falta isso na revista! Falta uma boa diagramação! Falta praticidade na leitura! Falta prender o leitor! E isso tudo é bem básico! [Não continua em lugar nenhum].

12.11.08

Visu novo da Wino

Pois bem, aqui estou eu ilhada na USP, enquanto podia estar em CASA, porque esta tarde toda aqui não rendeu NADA. Maaaaas olhemos para o lado interessante da vida. Para o que realmente importa.

Nossa Amy Winehouse mudou o cabelo!!

Vamos por partes.


Ela era aaaaassim:


Daí decidiu ficar loirona:



Então decidiu ficar só assim:




Daí não deu certo e ela voltou ao cabelo clássico


E agoooora...

Tchaan-tchaaan:


Oi tudo joia
Qq6acham?

10.11.08

Top 100 da RS I

O hábito de se fazer listas data desde antes de Cristo, quando um tal de Moisés recebeu as tábuas com os chamados "10 mandamentos". Deus podia ter mandado 11, 12, 15.. mas mandou 10. Ou seja, ele valorou e rankeou.



Desde então, a humanidade tende a fazer listas, a fazer rankings, quem é melhor quem é pior, quem merece estar em primeiro lugar e afins. No mundo do Jornalismo Cultural tal prática se tornou parte de uma técnica de se criar propriedade.

Entenda, toda vez que falamos de jornalismo, falamos de uma tentativa ferrenha em legitimar o discurso. Fazer com que ele tenha mais validade que o do outro, para que o meio seja, dessa maneira, o mais lido, e o mais "verdadeiro". Fechando o campo, na área cultural, temos uma enorme briga entre especialistas [na maioria das vezes é briga de egos!]. Quando um meio se coloca como detentor de poder e conhecimento para conseguir fazer uma lista de 100 maiores qualquer coisa, ou 100 melhores não-sei-o-que, quer dizer que ele tem uma enooorme gama de especialistas para dar o pitaco.

A Rolling Stone americana já fez muitas listas, entre elas a a "100 Greatest Guitarists of all time", em 2003 (em que, inexplicavelmente, George Harrisson ficou abaixo de Jack White do White Stripes!);"500 greatest songs of all times" (em que, cof-cof, os Beatles emplacaram nada mais que 23 músicas!) que foi divulgada em fevereiro de 2004; e, nesse ano, lançou a "The 100 Greatest Guitar Songs of All Time" (Purple Haze, do melhor guitarrista segundo eles próprios em outra lista ficou em 2º; e While My Guitar Gently Wheeps, do 17º guitarrista, ficou em 7.Me diz se entende isso de hierarquia?!).

A brasileira está seguindo a sua mestra, e, com apenas 2 aninhos de idade já ostenta algumas listas, como a dos "100 maiores álbuns da música brasileira" no ano passado, e este ano, surgiu com .. TAH DAHH.. Os 100 maiores artistas da música brasileira, na edição de aniversário, em outubro.

Existem muitos comentários a se fazer sobre essa lista, por isso, dividirei esse post em vários "pequenininhos" (e, não, não é para fazer número, Rosana!). Então, neste post, falemos sobre porcentagem! De um rótulo, coloquei outros, ou seja: dividi os 100 "maiores" entre 12 gêneros: MPB, Samba, Soul, Rock, Erudita, Sertanejo, Axé, Funk, Pop, Forró, Hip-hop e Experimental(instrumentistas que misturaram vários estilos, por isso, não podem ser enquadrados em apenas um rótulo).



O resultado foi [por ordem de grandeza] : 27% de MPB, 24% de Samba, 18% de Rock, 13% de Pop, 8% (!!!) de Experimental, 2% de Forró, 2% de Soul, 2% de Hip-Hop, 1% de Funk, 1% de Axé, 1% de Erudita (palmas para Heitor Villa-Lobos, o único desse meio na lista!), 1% de Sertanejo e 1% de Funk.

Sem dar nomes aos artistas já se tem uma imagem da lista. Não preciso falar quem está em primeiro lugar, ou quem está em último. O rosto da "Música Brasileira" na opinião da Rolling Stone está aí, estampado. E, diga-se de passagem, não é o mesmo perfil de "Música Brasileira" que se toca nas rádios!

Mas, como já dito em um post antigo, a Rolling Stone escreve para um público. E, para este público, a música brasileira significa: Chico Buarque, Caetano Veloso e Tom Jobim. E, para falar a verdade, não são tão mals exemplos da nossa música! Por que Calypso não está na lista? Por que, Leandro e Leonardo não estão? Simplesmente porque estes não tem apelo para o público da revista.

Metonímia, é a figura de linguagem que fala sobre a troca de uma parte pelo todo.Listas são metonímicas, não quero discutir aqui qual é a validade disso em técnicas discursivas, ou em formas de se criar um recorte de mundo. Mas elas só o são porque há um público com o pensamento igualmente metonímico. Um público que adora valorar, rankear e seguir listas.

Ahh..se os 10 mandamentos tivessem sido públicados na Rolling Stone. O mundo seria muuuito diferente!

RS 25 - POLÍTICA NACIONAL II: Perfil de Arlindo Chinaglia, Presidente da Câmara dos Deputados



Na mesma edição em que apresenta um perfil do presidente do Senado, a Rolling Stone também fala do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia.

Enquanto o primeiro baseava-se principalmente em uma entrevista com o próprio presidente do Senado, este foi feito a partir de pesquisa com várias outras fontes (incluindo “uma dezena de deputados”), o que resultou em uma descrição mais equilibrada e objetiva. Não que uma forma de fazer matéria seja melhor do que a outra; ambas são válidas e têm seus prós e contras.

O perfil de Garibaldi (presidente do Senado) talvez tenha abordado aspectos mais profundos de sua personalidade. No entanto, o direcionamento dado e a escolha das falas de outras fontes desmoralizaram-no ao insistir no aspecto “feio, simplório e burro”.

Chinaglia, por outro lado, foi retratado de uma forma que preservou sua dignidade. É homem irascível, explosivo, bronco, arrogante, como dizem os deputados, mas possui firmeza de princípios (como esses mesmos deputados admitem). A repórter Andrea Jubé Vianna relata vários episódios e medidas tomadas por ele no governo, muitos das quais responsáveis por criar desafetos ali. Essas envolvem cortes de gastos, esforços para encerrar as sessões na Câmara no horário certo para que não seja necessário pagar horas extras, aumento do ritmo de trabalho dos deputados, controle dos que costumam “cabular” em certas épocas.

A maioria dessas medidas é nobre, e todas vêm com uma explicação do presidente. Mas a repórter também não deixa de listar uma que vai contra essa corrente: o aumento da verba de gabinete dos deputados em quase R$10 mil mensais. Como as outras, ela também traz uma justificativa.

Esta matéria parece destinada a um público que entende alguma coisa de política, embora seja fácil de ser digerida e possa ser entendida mesmo pelos mais desligados.