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4.12.08

Os Donos do Pedaço

Diagramação que de tão hypada é confusa pacas, críticas tão falaciosas quanto este post, e um fetiche por listas, rankings e indicações. O que faz a Rolling Stone ser o que é hoje na cobertura musical é a autoridade que adquiriu na área. A gente pode criticar, detonar e esculhambar, mas não fazemos o trabalho que ela faz. Não que seja uma premonição de que "depois da RS não haverá nada melhor", mas se houver, será completamente baseado no projeto da revista, ainda que seja um anti-RS. Ela mostrou como fazer jornalismo musical e propagar a cultura pop no mundo.




Essa passividade do leitor em assimilar o que a RS prega é mais culpa do próprio leitor do que uma imposição da revista. É o que se chama de "delegação do saber". O leitor da Rolling Stone (aquele que sente que entende pouco de bossa nova...) admite que não sabe tanto quanto os profissionais da revista e aceita o que lhe é indicado. Para Philippe Breton e Perelman essa delegação costuma vir carregada de uma série de argumentos contra, pois defendem a idéia do discurso de autoridade vir carregado de valores coercitivos.



Então, se ela falou, tá falado?


Não é bem assim, fofa (o)! Acontece que com a quantidade de informação pululando no dia-a-dia e na tela do PC, é preciso selecionar o conteúdo com o que gastamos um tempo precioso, ou seja, nesse caso a RS falou: merece atenção. E isso é tão evidente que a revista, inclusive, costuma a pautar o restante do jornalismo... Mais conhecido no vocabulário redacional como chupinhar (ou seria xupinhar?): as revistas brasileiras de cobertura musical chupinham (xupinham) as idéias da RS (nacional, mas principalmente internacional) para reproduzi-las em suas próprias revistas, adaptando ao formato e púlbico-alvo de cada uma.


Então, ainda que você não seja fã da RS, vale dar uma olhadinha na próxima edição e ver se a sua revista favorita faz alguma coisa que a RS já faz. A partir daí, você vai conseguir entender um pouquinho do porquê esse grupo escolheu essa revista, além de falar de Britney e colocar Madonna na capa... O que por si só já é incrível, convenhamos!






BEIJO, ME DESLIGO DA RS!!

25.11.08

TOP 100 RS II

Ainda não deixei meu comentário sobre o ranking da Rolling Stone de novembro e antes que alguém fale que não aproveitamos essa "manancial de críticas"...

First of all: enquanto estamos a nos dilacerar por melhores posições para os nossos cantores favoritos, os editores da revista estão nos States recebendo os parabéns da RS internacional, em uma comemoração com a presença de Barack Obama!


Tá mentira... A questão, pequenos camponeses, é que as listas são feitas única e exclusivamente para causar polêmica, ou seja, para vender (siiiiiiim, capitalismo!). É preciso ser um bocado pretensioso para fazer um ranking e a Rolling Stone pode! Afinal, tem muita gente babando ovo para ela. Tô mentindo?

Para iniciar a análise... Credo! Que palavra horrível! Vamos mudar senão ninguém continua: Para esculhambar a Rolling Stone, deve-se admitir tal premissa: Nenhum ranking é objetivo, ou empírico. Mostre-me um ranking que seja a verdade kantiana (AI DONTI SPIQUI ABAUTI RELIDION) que eu te devoro!

Posso me deixar convencer pela lista por três motivos: ressonância, curiosidade e interesse.

A ressonância baseia-se em explorar o universo do leitor, o que ele já acredita e respeita, e usar como base da argumentação. Em outras palavras, ressonância é chover no molhado. Para exemplificar, tem coisa mais coxinha do que colocar Tom Jobim no topo da lista?

Com isso, a Rolling Stone ganha seu coração. A foto do abre mostra um Jobim tão guty, que logo você lembra que a luz dos olhos meus e a luz dos olhos teus blablablá. Como já explicado pela integrante Darth Vader do blog: anos 60 é um lugar muito seguro! Quero ver colocar no topo da lista alguém dos anos 80 que você ouve enlouquecido dentro do carro na Nova Brasil FM! Bom, e aí as 10 primeiras posições são tão conservadoras que logo se percebe que há um pacto entre os jornalistas musicais (chegamos, inclusive, a conclusão de que eles andam uniformizados pela Vila Madalena, mas isso fica para outro post). E o leitor fica sempre sem palavras quando se trata de bossa nova, afinal o MUNDO parece saber mais sobre o estilo do que ele (afinal, brasileiro que viveu a bossa nova, já não lembra das letras... AAAAAAAAAIIII, maldosa!). Só digo isso para você, pobre mortal, que entender bossa nenhuma, é super normal!

Fim da ressonância. Bóra para a curiosidade ou o post vai ficar gigante.

Curiosidade como todos sabem é aquilo que matou o gato. Estimular a curiosidade abre terreno para a argumentação, pois nela está inserido um desejo de mudança. É como se eu olhasse para a lista e pedisse: me convença! Para ser convencida, eu aceito argumentos que são uma apresentação particular dos fatos, exemplo: O D2 está na lista, poxa! Mas, mantenha o respeeeeeeeeeito... (mágoa, pois eu já desmaiei em um show dele)!

Se eu pensar que o fofo está atrás da batida perfeita, que é uma representação da voz dos morros, que já tocou com Sérgio Mendes e Otto, que isso, que aquilo... Ele é muito bom e merece estar na lista. O leitor da Rolling Stone que já está pregado na parede, aí diz:

"Ah, assim sim!"

E todo mundo fica feliz. O homem separado da obra, pois já não interessa o que ele fez de escroto nos anos de Planet Hemp. Para fazer valer minha opinião, ressalto apenas as características convenientes à minha argumentação (espertinhos...).

Quando há uma coerência entre a personalidade e os atos (quando ele é "O cara") analisados em questão, temos um mito:

"Apesar de você, amanhã há de ser, outro dia..."

(Para entender melhor o conceito de curiosidade, ler também os perfis de Daniela Mercury, Mano Brown e Genival Lacerda).

Último de tudo: o interesse. Nesse conceito reúnem-se os publicitários que sabem que as listas vendem e que querem vender os anúncios gigantes que vão na Rolling Stone, mas também a vontade do leitor de um enquadramento de idéias que lhe seja conveniente e gere uma economia de pensamento. O leitor da RS é alguém que tem que trabalhar, estudar, ler Kafka, assistir ao filme do Meirelles e ouvir todas as centenas de bandas novas que a RS apresenta todos os meses (nem vou dizer o que ele faz nas horas que deixa de ser poser) (AAAAAAAAAAIII, ácida!). Acontece que se a RS poupa ao leitor o trabalho de elaborar uma das milhares de opiniões sobre tudo o que ele tem que ter... Ótimo! Economia de muito tempo útil... Afinal, elaborar um ranking musical? Ninguém merece!

10.11.08

Top 100 da RS I

O hábito de se fazer listas data desde antes de Cristo, quando um tal de Moisés recebeu as tábuas com os chamados "10 mandamentos". Deus podia ter mandado 11, 12, 15.. mas mandou 10. Ou seja, ele valorou e rankeou.



Desde então, a humanidade tende a fazer listas, a fazer rankings, quem é melhor quem é pior, quem merece estar em primeiro lugar e afins. No mundo do Jornalismo Cultural tal prática se tornou parte de uma técnica de se criar propriedade.

Entenda, toda vez que falamos de jornalismo, falamos de uma tentativa ferrenha em legitimar o discurso. Fazer com que ele tenha mais validade que o do outro, para que o meio seja, dessa maneira, o mais lido, e o mais "verdadeiro". Fechando o campo, na área cultural, temos uma enorme briga entre especialistas [na maioria das vezes é briga de egos!]. Quando um meio se coloca como detentor de poder e conhecimento para conseguir fazer uma lista de 100 maiores qualquer coisa, ou 100 melhores não-sei-o-que, quer dizer que ele tem uma enooorme gama de especialistas para dar o pitaco.

A Rolling Stone americana já fez muitas listas, entre elas a a "100 Greatest Guitarists of all time", em 2003 (em que, inexplicavelmente, George Harrisson ficou abaixo de Jack White do White Stripes!);"500 greatest songs of all times" (em que, cof-cof, os Beatles emplacaram nada mais que 23 músicas!) que foi divulgada em fevereiro de 2004; e, nesse ano, lançou a "The 100 Greatest Guitar Songs of All Time" (Purple Haze, do melhor guitarrista segundo eles próprios em outra lista ficou em 2º; e While My Guitar Gently Wheeps, do 17º guitarrista, ficou em 7.Me diz se entende isso de hierarquia?!).

A brasileira está seguindo a sua mestra, e, com apenas 2 aninhos de idade já ostenta algumas listas, como a dos "100 maiores álbuns da música brasileira" no ano passado, e este ano, surgiu com .. TAH DAHH.. Os 100 maiores artistas da música brasileira, na edição de aniversário, em outubro.

Existem muitos comentários a se fazer sobre essa lista, por isso, dividirei esse post em vários "pequenininhos" (e, não, não é para fazer número, Rosana!). Então, neste post, falemos sobre porcentagem! De um rótulo, coloquei outros, ou seja: dividi os 100 "maiores" entre 12 gêneros: MPB, Samba, Soul, Rock, Erudita, Sertanejo, Axé, Funk, Pop, Forró, Hip-hop e Experimental(instrumentistas que misturaram vários estilos, por isso, não podem ser enquadrados em apenas um rótulo).



O resultado foi [por ordem de grandeza] : 27% de MPB, 24% de Samba, 18% de Rock, 13% de Pop, 8% (!!!) de Experimental, 2% de Forró, 2% de Soul, 2% de Hip-Hop, 1% de Funk, 1% de Axé, 1% de Erudita (palmas para Heitor Villa-Lobos, o único desse meio na lista!), 1% de Sertanejo e 1% de Funk.

Sem dar nomes aos artistas já se tem uma imagem da lista. Não preciso falar quem está em primeiro lugar, ou quem está em último. O rosto da "Música Brasileira" na opinião da Rolling Stone está aí, estampado. E, diga-se de passagem, não é o mesmo perfil de "Música Brasileira" que se toca nas rádios!

Mas, como já dito em um post antigo, a Rolling Stone escreve para um público. E, para este público, a música brasileira significa: Chico Buarque, Caetano Veloso e Tom Jobim. E, para falar a verdade, não são tão mals exemplos da nossa música! Por que Calypso não está na lista? Por que, Leandro e Leonardo não estão? Simplesmente porque estes não tem apelo para o público da revista.

Metonímia, é a figura de linguagem que fala sobre a troca de uma parte pelo todo.Listas são metonímicas, não quero discutir aqui qual é a validade disso em técnicas discursivas, ou em formas de se criar um recorte de mundo. Mas elas só o são porque há um público com o pensamento igualmente metonímico. Um público que adora valorar, rankear e seguir listas.

Ahh..se os 10 mandamentos tivessem sido públicados na Rolling Stone. O mundo seria muuuito diferente!

RS 25 - POLÍTICA NACIONAL II: Perfil de Arlindo Chinaglia, Presidente da Câmara dos Deputados



Na mesma edição em que apresenta um perfil do presidente do Senado, a Rolling Stone também fala do presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia.

Enquanto o primeiro baseava-se principalmente em uma entrevista com o próprio presidente do Senado, este foi feito a partir de pesquisa com várias outras fontes (incluindo “uma dezena de deputados”), o que resultou em uma descrição mais equilibrada e objetiva. Não que uma forma de fazer matéria seja melhor do que a outra; ambas são válidas e têm seus prós e contras.

O perfil de Garibaldi (presidente do Senado) talvez tenha abordado aspectos mais profundos de sua personalidade. No entanto, o direcionamento dado e a escolha das falas de outras fontes desmoralizaram-no ao insistir no aspecto “feio, simplório e burro”.

Chinaglia, por outro lado, foi retratado de uma forma que preservou sua dignidade. É homem irascível, explosivo, bronco, arrogante, como dizem os deputados, mas possui firmeza de princípios (como esses mesmos deputados admitem). A repórter Andrea Jubé Vianna relata vários episódios e medidas tomadas por ele no governo, muitos das quais responsáveis por criar desafetos ali. Essas envolvem cortes de gastos, esforços para encerrar as sessões na Câmara no horário certo para que não seja necessário pagar horas extras, aumento do ritmo de trabalho dos deputados, controle dos que costumam “cabular” em certas épocas.

A maioria dessas medidas é nobre, e todas vêm com uma explicação do presidente. Mas a repórter também não deixa de listar uma que vai contra essa corrente: o aumento da verba de gabinete dos deputados em quase R$10 mil mensais. Como as outras, ela também traz uma justificativa.

Esta matéria parece destinada a um público que entende alguma coisa de política, embora seja fácil de ser digerida e possa ser entendida mesmo pelos mais desligados.

29.10.08

RS 25 - POLÍTICA NACIONAL: Perfil de Garibaldi Alves, Presidente do Senado


O homem é feio, meio pateta e um tanto carismático. Isso resume o que a matéria "Quebra de Protocolo", de Carol Pires, publicada na edição 25 da Rolling Stone Brasil diz a respeito do presidente do Senado Garibaldi Alves.

Começando já com uma anedota – o fora que Garibaldi havia dado ao trocar a palavra metamorfose por “hermafrodita” -, O texto é repleto de relatos quase caricaturais que revelam um homem atrapalhado e meio abobalhado. Destacam-se aspectos simpáticos de sua personalidade (como o hábito de ir a batizados, casamentos e enterros de eleitores e sua simplicidade), mas até aí existe um quê de ridículo.
Apesar de negar que o homem seja bobo (“Nem precisa dizer que bobos somos nós. Se fosse bobo, não era quem é”), logo em seguida vem a opinião de um senador: “Ele é esperto sem ser inteligente”. Forte e desnecessário na estrutura criada para o texto. Soou ruim.

Apesar de sustentada em fatos (histórias), a matéria é toda subjetiva - até em sua ordenação. Segue a linha de raciocínio do próprio entrevistado, abusando do discurso indireto livre, de frases curtas em escrita coloquial e apresentando as coisas na ordem em que foram faladas. Por essa razão chega a ser bastante confusa, apesar de entremeada por algumas explicações sobre fatos que talvez o leitor desconheça.
Leitor este que, na visão da repórter, gosta de rock e deve estar muito mais interessado em boas histórias do que em política. Para ler a matéria, clique aqui.

17.10.08

Visões da Cidade

Quer algo mais clichê que a Av. Paulista quando se fala de São Paulo???

São Paulo, a terra da garoa, terra que tem gente boa... e que gosta de trabalhar. Se você foi criado ouvindo Xuxa, como euzinha aqui, então com certeza já escutou esse refrão (e já deve ter ficado com ele repetindo na sua cabeça, tal qual uma das músicas do Bon Jovi ou do U2). Se não, com certeza, já escutou e/ou viu algum clichê relacionado a essa linda megalópole.Bem, a edição de aniversário da Rolling Sotne desse mês (RS25) veio com uma revisitnha a mais, um guia do "Melhor de São Paulo", feito por ninguém mais, ninguém menos que... Alice.

Não, não essa (por falar nessa aí, tenho que comentar sobre a existência de uma foto em que uma das blogueiras do Amplifika personifica essa personagem mítica da Disney e do Lewis Carrol)! A Alice em questão, também não é a Alice Braga, embora tenha bastante a ver com isso de audiovisual. A Alice , dona do guia distribuido junto com a revista, é a personagem principal da série...Alice, produzida e reproduzida pela HBO Brasil:


"série inédita realizada em parceria com Gullane Filmes, produtora responsável por Bicho de Sete Cabeças. A direção geral é assinada pelo cearense Karim Aïnouz, conhecido por sucessos como O Céu de Suely, e pelo baiano Sérgio Machado, que tem no currículo filmes como Cidade Baixa. O novo produto faz parte de uma estratégia do canal de aumentar cada vez mais as produções nacionais.


Alice conta a história da personagem homônima que sai de Palmas, Tocantins, depois do pai se suicidar e vai para São Paulo receber uma pequena herança. Ao chegar na metrópole, a protagonista descobre um mundo nunca antes visto, conhece novas pessoas, vivencia diferentes emoções e, por isso, decide ficar mais tempo na capital paulista. "
(retirado de : http://www.revistaparadoxo.com/materia.php?ido=4802)

Você deve estar se perguntando, por que, raios,eu não escrevi uma resenha da série por mim mesma? E eu respondo prontamente: porque nunca assisti a um capítulo dela! Não tenho HBO , nem em casa, nem na república! Escutei falar muito por cima sobre a série.E, mesmo com a sua estréia, não escutei nenhum comentário sobre ela, nem mesmo a mídia falou tanto dela, o que pode significar duas coisas; 1. só tenho amigo pobre que não tem HBO ou 2. a série não fez lá tanto sucesso. A primeira opção pode ser bastante verdadeira, porém, creio que a segunda prevaleça.(eu sei que esse argumento é falacioso, mas ... não tirem o seu mérito!)

Então, fica a pergunta : Por que a Rolling Stone resolveu fazer um suplemento sobre uma série que não tá fazendo algum sucesso??Por quê? Resposta única e válida: porque a série é .... hyppe. Porque é algo cult, foi filmada e dirigida por diretores de filmes brasileiros que foram aclamados pela crítica, fala sobre São Paulo, a nossa própria megalópole global, a nossa própria Nova York. Uau, a série é quase um... Sex and The City!!

Escutei falar que um Nova-yorkino fica fulo da vida quando se diz pra ele que a visão que você tem da cidade dele veio de Sex and The City ou de Friends! Posso entender o estresse com os clichês!

O que nos leva ao começo do post, em que falei sobre São Paulo. Antes de falar sobre o suplemento da revista em si, preciso falar da minha relação com Sampa (sim, eu vou virar o Diogo Mainardi um dia!). Sou paulista, mas não paulistana. Nasci em Santos, litoral. E viajava ocasionalmente para São Paulo, para emocionantes eventos sociais...ok, bem menos... eram apenas festas de aniversários dos meus priminhos e/ou tios. Embora já tenha vindo fazer um passeio bem coxinha que começou no Mercadão e terminou no Parque do Ibirapuera em baixo de um frio de raxar. Bem, para mim São Paulo era a cidade da cultura, a cidade em que tudo acontece, o lugar em que tem as melhores baladas, os melhores shows, as melhores cabeças pensantes ou não, os caras mais gatos. Enfim, era quase minha Pasárgada!

Passei na USP (felicidades pra mim!), e passei também a ir mais pra São Paulo que nunca. Lógico, a minha faculdade agora é lá(ou aqui, não sei aonde lerá esse post!). O que acabou resignificando todas as minhas idéias e todo o meu recorte sobre a cidade. Isso quer dizer que, peguei todos aqueles pensamentos que tinha e comecei a falar um "Not thaat much!" pra eles. No começo desse ano me mudei pra Sampa, e agora, com quase um ano morando nessa cidade, posso afirmar que.. ela não é todo esse Glamour.

Glamour que a mídia tenta perpetuar sempre, seja em forma de imagens ou de palavras imagéticas. Isso tudo mexe com o imaginário daqueles que nunca colocaram o pé nas calçadas, que no momento passam por uma reforma enoorme, da av. Paulista. E isso nos faz voltar (a mestra em pensamentos circulares!!) para a Rolling Stone e seu suplemento! A idéia dele é mostrar a visão da cidade a partir da personagem Alice.

Comecemos do príncipio, e quando chegarmos no fim, paramos (só para parafrasear a Alice-Disney). A "revistinha" não é assinada. Isso não é um choque tão grande, tudo bem as matérias não serem assinadas. Mas, o suplemento não tem nem o expediente. O que me faz pensar que... ele foi criado por fantasmas camaradas. Ou... que foi coisa da HBO de fazê-lo! Como odeio teorias conspiratórias, prefiro a idéia de que fantasmas legais e super hyppes escreveram as (cof-cof) matérias.


A primeira página da revista contém uma "carta" assinada pela personagem, e contém o email dela, embaixo da assinatura! Me pergunto se alguém mandará um email pra personagem reclamando sobre o que ela escreveu. Dessa parte destaco o último parágrafo : "Nas próximas páginas, segue uma lista de shows, lojas, clubs, bares, restaurantes e dicas.Um guia para ajudar aqueles de primeira viagem, como eu, a entender e estender, ao máximo, a sua passagem por aqui [São Paulo].E, para aqueles que são daqui, espero que minhas dicas possam ajudá-los a sorrir nesta metrópole que não pára nunca. Prepare-se para ser arrebatado ao infinito." Atente a frase em negrito: sim, isso é um clichê! Uma idéia fixa de que São Paulo é uma cidade que não dorme, logo, todos os seus habitantes não dormem! Isso...amigos... é uma falácia! Falácia de Pressuposição! Na falta de uma premissa, usou-se essa pressuposição sobre a cidade de São Paulo! O fato da cidade ter muitos bares e baladas não indica que ela nunca dorme, visto que, por exemplo, o metrô pára de funcionar durante a madrugada! São Paulo não é por inteira.. 24 hrs ligada!

Na segunda página, o "índice", já se percebe que a São Paulo que será mostrada nesse Guia não é a "verdadeira", não é a complexa São Paulo de mais de 10 milhões de habitantes, é a São Paulo superficial dos turistas e do imaginário das pessoas que não moram lá. É a faceta bonita de Sampa. Esse não é o problema do Guia, até porque, se pensarmos que se trata de uma revista existente em todo o país, o guia tem que ser bastante... turístico. O que incomodou foi a intenção dele! Um dos textos do índice contém a seguinte frase : "A São Paulo que você descobre dia a dia, lugar por lugar, esconderijo por esconderijo." Quando, na verdade, se trata de um guia como outro qualquer da cidade. Ele não vai apresentar para a gente um lugar super-obscuro da cena paulistana, não vai mostrar aquela rua linda que ninguém conhece ou uma galeria de arte com novos quadros de novos pintores da cidade. Não! Ele vai mostrar pra você o que todo mundo já mostrou: Parque do Ibirapuera, Galeria do Rock, Sebo do Messias, Brechó Minha Avó Tinha e o Studio SP! Até eu que não era de São Paulo conhecia esses lugares, antes mesmo de passar na USP!!!

Parque do Ibirapuera : um dos Esconderijos de São Paulo, segundo Alice.

Esse conflito de discursos acontece bastante na própria Rolling Stone, revista, que se diz uma porta voz do mundo da música, ou melhor, de "Tudo o que importa!" (slogan da revista!), quando apenas, mostra apenas o mundo do pop. E, se a gente for pensar bem, acontece com a maioria dos meios jornalísticos. Alguns proclamam-se donos da verdade, quando se empenham em mostrar uma pequena parte dela. É o que mais me irrita no jornalismo, esse misto de hiporcrisia e esquizofrenia!

Vamos às páginas seguintes, a primeira parte é o "Guia SP", o título dessa matéria é "Mil Lugares". O que corrobora a minha opinião escrita alguns parágrafos acima, de que, eles tão MENTINDO. Já que mostrarão os lugares mais conhecidos da cidade. Os textos parecem bastante com releases , mostram onde ficam os lugares o contato para eles. E.. os "mil lugares" escolhidos foram ...12: o Sebo do Messias, a Galeria do Rock, Studio SP, Clube Berlin (uma baladinha do centro/barra funda, perto da casa de uma das blogueiras do Amplifika, by the way), Ibotirama (um boteco da Augusta) , o Parque do Ibirapuera, a Feira da Benedito Calixto (essa é perto da minha casa), Lanchonete da Cidade, Brechó Minha Vó Tinha, Milo Garage ("uma das noites mais simpáticas da cidade", na Consolação), um bar da Praça Roosevelt, e o CB (uma cervejaria da barra funda). Analisem que a gama de lugares não beneficiou lugares como..a Zona Leste, ou até mesmo o tão famoso Itaim Bibi.Opa, acho que não eram tantos "esconderijos" assim! Esse guia inteiro acaba criando uma "Falácia de Divisão", pois ele pega umas partes da cidade e mostra como se fossem toda ela!!

Mas... o melhor, quer dizer, o mais engraçado, ainda está por vir. A próxima sessão se chama "P&R", e se trata de (nossa nem sei como escrever isso sem parecer muito patético) uma enstrevista com a personagem!!!!! Por favor, entendam toda a minha ironia ao escrever isso! Não tem como não ser irônica ao pensar que gastaram páginas e diagramação, numa entrevista com uma... personagem fictícia. Se ainda fosse uma entrevista com a Alice do Carrol, ainda ía. Certeza que esta falaria coisas muito mais interessantes que aquela (como por exemplo, poderia me explicar qual era a sensação de mudar muitas vezes de tamanho.. e de cantar com as flores...)! Quer dizer, esse suplemento fez algo que nem aquelas revistas à la "Minha Novela" fazem! É um tipo de promoção desnecessária à série. Sem contar que não é nada jornalístico, já que, não se trata de uma entrevista com uma pessoa real! É apenas uma forma "diferente" de se re-e-contar o enredo da série. Enredo que já é mostrado a exaustão durante a "revistinha".

Próxima sessão: "Top 20", com os SETE melhores shows que ocorrerão na cidade. Eu juro que prefiro não comentar sobre esse erro. Nem sobre o erro de eles não terem colocado o número 6 no box "Mais sensações", usando o numero 3 de forma repetida! Quero , antes de tudo, destacar as últimas frases da linha fina desta sessão : "Quer dançar? Impressionar? Comprar? Fazer amigos? Causar boa impressão? Siga o caminho da felicidade" Assim, isso fora de contexto parece uma chamada da revista Capricho.

Novamente, observa-se a presença de textos parecendo releases sobre as bandas que farão os shows. Agora, um detalhe, além de dizer quando e o contato dos lugares onde acontecerão os shows, eles colocaram um link do MySpace das bandas/artistas, o que é bem legal, e colocaram... um tópico diferente em cada artista. Por exemplo, sobre o show do Kanye West, tem o quando, o ouça agora, e um... "vista-se" com a indicação de uma loja que tem roupas parecidas com o estilo do cantor. Sim, eles conseguiram colocar mais um espaço para vendas. Esse guia todo parece uma grande propaganda, contendo dentro dela, pequenas propagandinhas. A grande propaganda é, logicamente, da série, e as pequenas, são desses lugares. As ligações entre o artista e os lugares são forçadas. Na parte do show da KT Tunstall, tem um tópico chamado "Sua Trilha", com uma propaganda da 2001 Vídeo!! Juro!! Existem sim tendÊncias falaciosas nessas ligações um tanto incoerentes, o que o Marcelo Camelo tem a ver com o MAM??

Próximas páginas, contam com uma crônica/narrativa . A sessão se chama "12 horas". O nome do texto é "Aquela Noite- A saga de Alice à procura de baladas". Sobre o texto, não falarei nada. Agora, sobre os lugares em que Alice está no texto, posso, com certeza falar. Porque são lugares que vou! Ela começa o texto no cruzamento da Av. Paulista com a Rua Augusta, ela desce a Augusta, vai até o Espaço Unibanco"ponto de encontro de cinéfilos em busca de novidades e uma certa paquera", qualquer cinéfilo de Sampa sabe que o verdadeiro cinema em que eles estão reunidos é o HSBC Belas Artes, ali perto, na Rua da Consolação, ela pára para comer n´O Pedaço da Pizza (lugar ótimo, se quer saber) , ela entra no Center 3, no Multiplex Playarte Bristol, onde toma um café na Starbucks, volta para ver o filme, enfrenta uma fila, depois vai para o Studio SP, lá embaixo da Augusta. E de lá, vai tomar café no BlackDog. Se alguém me disser que dentro desse passeio todo existe alguma poesia, vai ter que me mostrar a poesia com todas as letras. Eles tentam mostrar a noite da cidade como algo excitante e novo, como... algo cosmopolita. Talvez por se tratar de um local que sempre vou, esse texto teve o efeito contrário em mim, me deixando com mais raiva desse exagero para com a noite da cidade.

Rua Augusta: o lugar onde tudo [???] acontece

Na sessão seguinte, temos dicas de filmes que passarão na 32º Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Evento em que, impressionantemente, Alice começa a trabalhar na série. Essa parte aparece com uma seleção de quatro filmes que você "tem que ver" na Mostra. É muita presunção achar que eles sabem o que é bom dentro de uma Mostra enorme. Mas, considerando que eles já ditaram aonde você deve ir de dia e de noite em Sampa, acredito que mais um tipo de dica não fará mal a ninguém.

Logo após essa parte "Filmes-cult", temos a sessão "Álbum", sob o título "Olhares", temos fotos clichezentas de pontos turísticos de São Paulo. A única foto com um ponto de vista mais ou menos diferente do convencional, é a foto da Avenida São João. Inclusive que podia ficar horas escrevendo sobre como essa música "Sampa" molda olhares sobre a cidade. A avenida Ipiranga com a São João é apenas mais uma de milhares de esquinas de São Paulo, mas, como aconteceu com a própria cidade, ela foi mitificada. Nesse suplemento conseguimos ver a força que é o mito da cidade de São Paulo.

A próxima, e penúltima parte, mostra a ficha técnica, com a galera dos bastidores da séries. Então, tem-se as fichas técnicas mesmo dos atores e diretores da série. E, como um caso de hipermídia, é a série falando dela mesma. Num guia escrito pela personagem, ela deixa as ultimas paginas para falar daqueles que a criaram, daqueles que estão por trás de sua realidade falsa. A revistinha acaba então, de maneira circular, com uma sessão chamada "Ressaca", com algumas dicas de Alice (10, para ser mais clara, e mais clichezenta) para o dia-seguinte após a bebedeira. É o primeiro toque de humor que temos na revista inteira, pena que é só no final dela!

Bem.. a conclusão que cheguei: o mundo tá se acabando, o meio ambiente se esvaindo, e a Rolling Stone desperdiça papel com um guia que não serve para nada, além de promover uma série que já está acabando na HBO! Esse guia não serve para pessoas que não moram na cidade, já que mostra lugares que elas nunca irão, e lugares conhecidos demais; e não serve para alguém que mora , efetivamente, na cidade, porque ele repete informações já sabidas de forma ...forçada. É como uma grande propaganda, como eu já disse alguns parágrafos acima.

Para encerrar, tenho uma idéia pra Rolling Stone do mês de Novembro: fazer um guia do Leblon, escrito pela Helena de "Mulheres Apaixonadas", aproveitando o fato de a novela estar passando no Vale-a-Pena-Ver-De-Novo.


Beijosmeliguem vocês da Rolling Stone!

4.10.08

Os Desafinados

Os Desafinados de Walter Lima Jr. está nos cinemas e ao invés de fazer eu mesma uma crítica do filme, utilizo da crítica da Rolling Stone para explicar qual foi (também) minha impressão do filme:





“(...) utiliza de uma fórmula batida, ainda que quase imbatível: a do 'filme de banda', que mostra música às voltas com o sucesso iminente e enfrentando conflitos internos e suas próprias limitações. (...) O único pecado do filme, talvez, seja sua duração excessiva.”

Rolling Stone – Filme – Por Pablo Miyazawa

Concordo, mas acho que a Rolling Stone amenizou a crítica. Talvez por ser de Walter Lima Jr., ou pela atuação de Rodrigo Santoro, ou por Selton Mello, ou por ser Bossa Nova e o gênero estar comemorando 50 aninhos, ou mesmo por se tratar da elite da música brasileira, acontece que o filme é bem fraquinho... Mesmo para o dito cinema cult... Ele é deveras longo e as cenas não são instigantes, ou mesmo necessárias para o filme.


Será que seria para manter o “dubitundaaauuu” da bossa? Acho que não... O destaque muito maior ao personagem de Joaquim (Santoro) acabou menosprezando o restante da banda, que tinha personalidades incríveis e marcantes, com histórias até mais divertidas do que o romance blé do casal formado por Santoro e Claudia Abreu. Romance que dava o tom da bossa e das músicas, mas que podia ser melhor trabalhado com menos tempo. Parece que foi o filme de “Joaquim e sua banda”.

Outra coisa: que final foi aquele? Realmente podia ter ficado sem ele, pois pelo menos a crítica em relação a duração não existiria! Não vou contar o final, ok? Tirando isso... Assistir a filmes com música é seeeempre bom! Mas, já é esperado este tipo de comentário de um blog de música...

Obs: Este post é parcial e falacioso e baseia-se unicamente na minha impressão sobre o
filme. Para comprovar, utilizo o exemplo que foi utilizado na minha argumentação:


“Será que seria para manter o “dubitundaaauuu” da bossa? Acho que não...”


Trata-se claramente de uma falácia: (considerações não-racionais de caráter persuasivo). O tipo de falso argumento que utilizei é claramente uma Pergunta Complexa, pois até eu mesma após ler este absurdo tendencioso e cruel, fiquei muito tempo tentando entender a complexidade da
palavra “dubitundaaauuu”. Muito complexo.

Não confie em mim e vá assistir ao
filme você mesmo!

28.9.08

Rolling Stone : Satisfaction?!



Então, um dia você decide comprar uma revista. Dá uma passada na Banca, olha as opções. Não tá afim de ler as tragicidades de Veja, nem as tragi-comédias de Caras, muito menos as falsas tragédias da Bravo. Por isso, compra um Rolling Stone. Lógico, você compra com a total certeza que encontrará nas páginas dessa "enorme" revista [ela é estéticamente grande] algo sobre a cena musical. E qual não é a sua surpresa quando, nas páginas da revista, encontra uma parte chamada Política Nacional!!



Sim, a Rolling Stone não fala só sobre música. Ela pretende fazer uma miscelânea politico-capitalista-cultural-pop-rock-hippie-punk-hajeneesh [só para lembrar a música do Wander Wildner!].Os desavisados passam sim por um choque quando compram a Rolling Stone. Primeiro, porque graficamente a revista não é ousada, é uma cópia identica da americana, é totalmente diferente do que se pensa quando se compra uma revista sobre "cultura".É só pensar na diagramação da Bravo, embora os textos desta revista não sejam lá tão bons, ela é graficamente bonita, e diferente. Tá bom que no Brasil temos exemplos péssimos de design em revistas que falam sobre música, como por exemplo, a Roadie Crew, que consegue mostrar em seu design todo o heavy do heavy-metal (preciso confessar que as páginas coloridas da Roadie Crew, como você pode ver na imagem ao lado, combinada com o carnaval de fontes que eles colocam para os títulos do texto, foram uma das coisas que me fizeram desistir do estilo de música sobre qual ela fala, isso e o fato de que aprecio o máximo do minimalismo musical, nada de muitas guitarras e muita bateria em uma mesma música, me confunde!). E, indo para a minha infância/pré-adolescência, aquelas revistas que falavam sobre os Backstreet Boys eram horríveis. Coloridas, com muitas fotos, poucas informações e nada, nada inovadoras! Sem contar naquela idéia de que a revista toda se abria
para um poster único que, uma vez aberto, nunca mais conseguia se dobrar como fora outrora...

Voltando, Rolling Stone: a disposição das matérias e das propagandas é bastante misturada, numa página você lê a entrevista com Amy Winehouse, noutra você vê um anúncio de um carro meio-jeep, em outra, você se depara com o perfil do Estilo de um ator-global dando, seguido, como é de costume nas revistas de cultura, por uma listinha de coisas que o ator tem certeza que você, leitor (a) "Tem que Ter",noutra página, se depara com uma matéria sobre as armas e sobre a guerra em não-sei-aonde, e, como de costume, nas páginas finais você encontra as resenhas de CDS/DVDS/Shows/Filmes/Livros/Games (e quando você se cansa de ler dicas, eles ainda pedem para outras pessoas "famosas do mundo da música" te darem ainda mais dicas sobre bandas, músicas e cds, isso na última página da revista!).Já encontrei numa mesma Rolling Stone, uma matéria sobre as tropas brasileiras no Haiti, uma sobre o Star Wars , uma entrevista com um traficante de drogas e uma resenha do Show do Evanescence!

Agora, a pergunta que me fiz, e que acho bastante pertinente é : será que os que lêem são tão desavisados assim?! Vamos e convenhamos, a revista tem o mesmo nome da norte-americana, é quase uma franquia dela. Por isso, não acho que há tanto espanto por parte do leitor normal da revista. Mesmo quando ela foi lançada aqui no Brasil, em 2006, não trouxe nenhuma novidade, a "linha-editorial", permaneceu a mesma. As pessoas que procuram comprar a revista são aquelas que estão antenadas com o que acontece no mundo pop-rock, são aquelas que já conheciam, nem que fosse de dar uma folheada, a revista norte-americana.

Uma revista é uma marca. Esse conceito é elevado a enésima potência no caso da Rolling Stone. Quando falamos dela, quando a lemos, não lemos a revista no papel. Lemos a marca Rolling Stone. Uma revista de tanto nome que conseguiu ser tão ou mais conhecida que a banda com o nome similar. Mesmo com essas idiossincrasias, ela consegue vender o que pretende. Isso porque, antes mesmo de existir no Brasil, a revista já tinha um público. Tudo fica mais fácil quando se tem para quem vender. Quando já se conhece o seu leitor. A proposta da revista é conseguir conversar, usando o mesmo tom, com jovens do Brasil, dos EUA, da Argentina, da Inglaterra, da Turquia e da China. Uma revista cosmopolita, no final das contas. Uma revista que só é comportada em países que têm São Paulos e Xangais.




Enquanto isso, ainda prefiro os Rolling Stones que, por mais idiossincráticos que sejam nunca me decepcionam!


PS¹: Ainda teremos um tópico apenas analisando as capas da revista.

PS²: E, pra deixar bem claro, entre Beatles e Rolling StoneS , sou Beatles até a morte!!!!!!!

23.9.08

Amy TooMuchWine-House

Não é novidade que a Rolling Stone tem as melhores entrevistas do mundo (É exagero!), mas dá para entender as razões! A fórmula:

pegue o maior ícone pop da atualidade

+

um repórter tão maluco quanto o
entrevistado

+

bata com força no ponto fraco do
artista
a cada edição até ele ficar com raiva e decidir dar a entrevista
para ser superior

+

consiga a qualquer preço sua entrevista.

O último elemento é ainda mais importante. Pois é literalmente!

Então, sem mais, (um dia ainda colocaremos trechos da história do Truman Capote e do Andy Warhol, mas fica para depois), quero fala sobre ela: Amy Winehouse. A diva do R&B que está ficando louca e, por isso, vai virar um mito.



Na Rolling Stone Brasil do último mês, a fofa aparece com o rostinho estampado e devastado pelo estrondoso sucesso (e algumas outras coisinhas) na capa. E vamos para entrevista... Que não é uma entrevista! É uma reportagem, mistura de entrevista, narrativa e descritiva em que a repórter fala de uma noite que passou com a cantora, misturando informações sobre sua carreira.

Então, vamos lançar um desafio aos repórteres do mundo! Se VOCÊ conseguir uma entrevista com Amy Winehouse (não vale depois do Rehab, tem que ser agora bem no meio do You know I'm no good), em que ela fale uma frase que faça sentido por mais de 30 segundos, você ganha um vídeo exclusivo das donas deste blog encarnando o Banana Split!

Brincadeira, nós faríamos de qualquer jeito, mas é simplesmente impossível falar com ela, pois digamos que a fofa não fala nada com nada. E a Rolling Stone, simplesmente consegue o melhor perfil traçado de Amy Winehouse até o momento! Sem mentiras e sem exageros. Você simpatiza com a moça, ao mesmo tempo que sente raiva pelo extremo talento jogado fora e dó pelo mesmo motivo. Tudo isso pela simples descrição de uma noite em que a repórter passou com Winehouse. Descrição: ambiente, a comida pelo chão, fotos de baixaria no PC etc.



Com certeza, até mesmo pela idolatria que Amy provoca, e pelo que provavelmente ela será no futuro (ou uma heroína morta, ou uma estrela pop que ressurge das cinzas), a entrevista marca a história da revista, da repórter Claire Hoffman, e ensina aos amantes da música, e por isso mesmo de personagens complexos demais, a contarem uma boa história.

Já leu a entrevista? Edição 24 da Rolling Stone Brasil (setembro).
Peça para o amiguinho ao lado que comprou, e diga que você empresta sua Piauí! Vamô lá, Brasil! Por revistas mais baratas e salários mais altos aos jornalista – e estagiários – do mundo.